A bissexualidade está na moda ou o mundo evolui para a não
distinção?
Denise teve um caso com Diana,
que namora o Artur, que tem um caso com Angélica,
melhor amiga de André, ex-caso de Artur... Parece ficção, mas tirando
os nomes, que são falsos, essa história é bem verdadeira e acontece com mais
freqüência do que as pessoas "desligadas" poderiam imaginar. E o que esses
personagens têm em comum? O fato de todos serem, ou terem tido experiências, bissexuais.
A década de 90 colocou a bissexualidade em voga. Não apenas como um modismo, mas uma
opção de quem quer sentir o amor de todas as formas.
A crença geral é de que
o bi é uma pessoa indefinida, que ainda não achou sua identidade sexual. "É
curiosidade de experimentar o novo. Normalmente os bis são os novinhos, depois se
definem", diz Pandora, promoter da night carioca. Não é exatamente
o que os bis acham. É bem verdade que no início a postura tende a ser dúbia,
confusa mesmo. Até se resolver os traumas, aparar as arestas do bloqueio, saber o que é
atração e o que é só curiosidade, as pessoas vão experimentando, testando as
possibilidades. O mais famoso defensor da bissexualidade humana foi o pai da psicanálise Sigmund
Freud, que dizia que todos nascem com plena possibilidade de ser bi, mas as
experiências e a relação com a sociedade vão moldando a sexualidade humana. Portanto,
dependendo da história pessoal, é absolutamente viável que as experiências de alguém
conduzam a uma orientação para os dois lados, já passada a tal "fase de
definição".
O início traz mesmo suas
dúvidas, naturalíssimas aliás. A maioria dos entrevistados inaugurou a vida sexual com
o sexo oposto, foi adquirindo experiência, maturidade, aí, surgindo interesse,
curiosidade, oportunidade... teve uma experiência com o mesmo sexo. Com a Flávia
foi assim. Deu o primeiro beijo em homem aos 15. Aos 17 começou a freqüentar o mundo
GLS. Foi nessa época que a irmã assumiu para ela que era lésbica. Aos 18 beijou a
primeira mulher. "Eu fiquei horrorizada, mas queria. Achava que devia ser, por causa
da minha irmã. Lá pelos 21 anos é que fui me resolver e levar os dois lados numa boa.
Hoje estou feliz comigo", conta a gaúcha de 23 anos.
Realmente não é simples
conviver com tantas opções. O bissexual precisa saber bem onde pisa no campo amoroso. A
vantagem mais falada é o fato dos bis terem o dobro de chances de encontrarem um parceiro
interessante. Eles não descartam nenhuma possibilidade. Isso pode gerar, além de
satisfação, muita confusão. E não é todo mundo que entende. Existe a vontade, mas
muitas vezes é preciso escondê-la. O conflito é uma constante.
Outra fama que os
bissexuais carregam é a de serem promíscuos. Muita gente os acusa inclusive de serem os
principais responsáveis pela disseminação de Aids. É verdade que muitos homens, até
casados, escondem da mulher o seu lado bi e vão para a rua ter relações com homens,
muitos sem proteção. Mas não é justo culpar todos os bis por causa de alguns. Nesse
caso, a culpada é a mentira. Ela e a ignorância são os principais transmissores do HIV.
No tocante ao
preconceito, os bis sofrem até mais que os homossexuais. Eles não são aceitos pelos
hetero, em geral incompreensivos, e nem sempre conseguem se integrar ao contexto
homo. A família, na maioria dos casos, não toma participação. Os bissexuais têm muito
medo de revelar para os pais. A maior parte acha que ia ser visto como desviante, alguém
que precisa de tratamento. É freqüente os bis apresentarem-se como homo ou
heterossexuais, dependendo do grupo ou círculo de amigos e do grau de aceitação que
acreditam que poderão ter. Mas há muito mais bissexuais do que se imagina. Aliás, tem
gente que é e nem desconfia...
Veja o que os internautas
responderam na continuação de nosso artigo.
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